Copyright © 1970 by the Assemblies of God
Título do original em inglês: The Inerrancy Of Scripture
Gospel Publishing House/Springfield, Missouri
Tradução: André Queiroz
A INERRÂNCIA DAS ESCRITURAS
Acreditamos que a Bíblia é a Palavra de Deus
escrita; é a revelação das verdades de Deus transmitida por inspiração através de
seus servos para nós. Como tal, é infalível e sem erro.
IMPLICAÇÕES DA DECLARAÇÃO
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Referimo-nos aos autógrafos originais. Embora a ciência da crítica
textual assegure-nos de um texto fidedigno, a inerrância só pode ser reivindicada para
as escrituras originais (Jr 36.2).
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Entendemos que a Bíblia seja, em realidade, a verdadeira Palavra de Deus. O Autor
divino incitou o pensamento original na mente dos escritores (Am 3.8); Ele então guiou
suas escolhas de palavras para expressar tais pensamentos (Êx 4.12,15); e, finalmente,
Ele ilumina a mente do leitor de tais palavras de certo modo que o leitor pode compreender
potencialmente a mesma verdade como estava originalmente na mente do escritor (1 Co 2.12;
Ef 1.17,18). Deste modo, pensamento e linguagem, ambos são revelatórios e inspirados.
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Compreendemos que a inspiração significa o ato especial do Espírito Santo pelo qual
Ele guiou os escritores da Bíblia. Tal superintendência levou plenamente em conta os
divergentes meios, habilidades e personalidades dos escritores, e aplica-se a tudo que
escreveram como é encontrado no cânon da Escritura.
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Definimos inerrância como significando "isento de erro" e infalibilidade
como um sinônimo próximo que significa "incapaz de erro, certo". Se há alguma
diferença na significação entre os dois termos, inerrância enfatiza a
veracidade da Escritura, enquanto infalibilidade enfatiza a probidade da Escritura. Tal
inerrância e infalibilidade aplica-se a toda Escritura e inclui tanto inerrância
revelacional como inerrância factual. Ela é verdade (2 Sm 7.28; Sl 119.43,160; Jo
17.17,19; Cl 1.5).
CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS
Enquanto a discussão na doutrina da inerrância é primariamente um
fenômeno dos últimos anos, uma pesquisa histórica da igreja sugere que a igreja
sustentou por longo tempo um elevado conceito da inspiração, com a doutrina da
inerrância implícita nesta concepção.
Durante o Período Patrístico, as Escrituras eram consideradas como a única obra do
Espírito Santo transmitindo adiante uma mensagem divina. Para os pais da igreja, a
inspiração estendeu-se até mesmo à fraseologia da Bíblia. Destarte, Clemente de
Alexandria destaca as palavras de Cristo em Mt 5.18 dizendo que nem um jota ou til jamais
passarão porque o Senhor assim falou (Protepticus, IX, 82, 1). Gregório Nazianso sugere
que as menores linhas nas Escrituras devem-se ao cuidado do Espírito Santo e que
devemos ter cuidado ao considerar cada pequena significação (Orat., 2, 105).
Justino, o Mártir, distinguiu a inspiração entre humana e divina e falou da palavra
divina que moveu os escritores da Bíblia (Apologia, 36). Irineu pensou nas
Escrituras como "além de toda a falsidade" (Apologia, 18). Não há
dúvida que os antigos pais tiveram um conceito bastante elevado da inspiração e que
este conceito estendeu-se às minúcias da Escritura.
Durante o período medieval ou escolástico, a Bíblia tornou-se um mero livro fonte para
disputas em vez da Palavra de Deus viva. Como era de se esperar, o período era
improdutivo a respeito das declarações definitivas na inspiração. Muito mais atenção
foi prestada ao status da Bíblia em sua relação para com outras autoridades dentro da
igreja. Embora Abelardo e Aquino enfatizassem o elemento humano na transmissão da
revelação de Deus, não há evidência para sugerir que uma doutrina menos elevada da
inspiração foi requerida pelos caprichos da Idade Média.
Os reformadores, numa procura por autoridade, aceitaram prontamente a doutrina da
inspiração e, por implicação, a doutrina da inerrância. Zwinglio apelou
constantemente ao Antigo Testamento e ao Novo Testamento na sua defesa da pura doutrina
cristã. Calvino descreveu as Escrituras como o "único registro no qual Deus se
agradou para consignar a sua verdade para perpétua recordação, até que tenhamos uma
convicção perfeita de que Deus é seu Autor" (Institutas, I, 7, 2, 4). Lutero
argumentou em defesa de um elevado conceito da inspiração, uma vez que a questão da
canonicidade foi resolvida e o conceito das Escrituras como estando acima de erro. Ao
passo que os reformadores não dedicaram uma parte decisiva da sua teologia ao assunto da
inspiração, é conclusivo que eles aceitaram a plena autoridade das Escrituras.
A era do racionalismo nivelou seu ataque contra a aplicação da inspiração às
minúcias da Bíblia. No espírito do Renascimento, floresceram estudos lingüísticos e
textuais. A método racionalista sugeriu que, se pudessem ser demonstrados erros existindo
no texto da Escritura, toda a doutrina da inspiração desabaria. Este tipo de pensamento
acendeu uma erupção de reivindicações de que a Bíblia estava cheia de erros, seus
críticos esperavam deste modo destruir toda a doutrina da inspiração.
Infelizmente, a ortodoxia respondeu com o mesmo apelo a racionalização. Eles alegaram
que como a Bíblia está sem erros, é destarte inspirada. Isto não significa que
deveríamos aceitar um conceito inferior da inspiração, nem que deveríamos rejeitar a
doutrina da inerrância; apenas sugere que nosso apelo deve provir somente das
reivindicações da Escritura. As Escrituras são inerrantes porque são inspiradas por
Deus--e não inspiradas porque são inerrantes. A primeira proposta é bíblica e conduz a
uma visão correta da inspiração e inerrância; a segunda proposta é racionalista e
abre uma brecha para especulações humanas.
CONSIDERAÇÕES EXEGÉTICAS
O ponto de partida para uma compreensão correta da doutrina da
inerrância é o próprio testemunho da Bíblia. A Bíblia claramente reivindica para si
mesma autoridade divina e plena inspiração e nisto está implícito a doutrina da
inerrância.
Jesus Cristo, uma testemunha digna de crédito e mensageiro de Deus, atesta para a
inspiração dos detalhes das Escrituras. Em Mt 5.18, Jesus disse: "Até
que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja
cumprido". Se levarmos esta referência literalmente, que o jota representa a
menor letra hebraica e o til o menor traço que distingue uma forma de letra de outra, ou
figuradamente, que o jota e til representam as partículas da Escritura, a força é a
mesma. Jesus considerou as Escrituras como sendo conseqüenciais até mesmo no seu mais
tênue detalhe. Se Jesus não acreditasse na plena inspiração e qualidade da
inerrância, a força do seu argumento estaria perdida.
A insistência de Cristo na natureza essencial de cada parte da Escritura também é vista
em Jo 10.34,35. Aqui Jesus aponta para uma breve declaração dos Salmos e afirma que nem
esta nem as outras partes da Lei podem ser quebradas. Se Jesus tivesse considerado as
Escrituras como sendo inspiradas apenas parcialmente e sujeita a erros de detalhe,
certamente, Ele não teria falado desta forma.
Em Mt 22.32, a validade da declaração de Cristo reclina na natureza essencial do detalhe
bíblico, a saber, o tempo presente do verbo ser: "Eu sou".
Questionando os fariseus em Mt 22.43-45, a força do diálogo repousa no uso de uma
palavra: Senhor. Em Gl 3.16, o apóstolo Paulo conta com a diferença de
singulares e plurais para a força do seu argumento. Exemplos de minúcia, envolvendo
tempos verbais, particulares de palavras e singulares e plurais, somente são
significantes levando em consideração uma Escritura plenamente inspirada, que é
infalível, mesmo em seu detalhe.
Uma das declarações mais fortes na plena inspiração das Escrituras é encontrada em 2
Tm 3.16. Esta passagem ensina que toda Escritura é "inspirada por Deus", ou
literalmente, "soprada" por Deus.
Uma última passagem merece consideração. 2 Pe 1.21, declara que os escritores do Antigo
Testamento falaram "movidos pelo Espírito Santo". No seu contexto, este
versículo sugestiona a singularidade das Escrituras quando comparadas com as
declarações humanamente inspiradas. Os homens que escreveram as Escrituras foram
movidos, ou impelidos, pelo Espírito Santo. O testemunho uniforme das Escrituras é
claro: Deus falou o conceito (revelação) para a mente do escritor; o Espírito Santo
guiou a transmissão (inspiração) deste conceito na forma objetiva de palavras; e, pela
contínua direção do Espírito Santo (iluminação), recebemos a revelação original
enquanto lemos as Escrituras.
Além das passagens acima, menção deveria ser feita das numerosas reivindicações das
Escrituras em ser na realidade a "Palavra de Deus". O Antigo Testamento é
abundante com tais frases como "e Deus disse", "assim diz o Senhor" e
"veio a Palavra do Senhor". Em outras passagens, a Escritura é equiparada
diretamente com autoria divina: "ela diz", "está escrito" e "a
Escritura diz". Isto mostra que a voz de Deus, falada aos profetas, é igualada com
as Escrituras, que foram escritas por inspiração divina.
OBJEÇÕES À DOUTRINA DA INERRÂNCIA
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Já que não temos os autógrafos originais, qualquer doutrina de
inerrância estará sem valor.
A resposta é dupla. Primeiro, a ciência da crítica textual nos assegurou, pelas
estimativas de estudiosos competentes, que os textos atuais (grego e hebraico) estão sem
erros de significado. O texto com que trabalhamos é portanto fidedigno e meritório do
mais cuidadoso e detalhado estudo.
Segundo, rejeitar a doutrina da inerrância transfere a questão da verdade, do objetivo
para reino do subjetivo. Quem irá decidir que parte da Escritura é verdade e que parte
é falsa? Que parte é fidedigna e que parte é indigna de confiança? A reivindicação
das Escrituras por autoridade divina é perdida quando a sujeitamos às avaliações
racionalistas e subjetivas de homens.
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A doutrina da inerrância necessita de uma doutrina de inspiração que elimine a
personalidade humana na composição das Escrituras.
Asseguramos que Deus, pela superintendência do Espírito Santo, preparou os autores da
sua Palavra de maneira que eles puderam escrever precisamente o que Ele pretendeu ser
escrito. A total personalidade de cada autor foi utilizada pelo Espírito Santo na
transmissão da mensagem divina e assim permitiu variedade e individualidade, contudo não
destruindo a mensagem que Deus desejou confiar ao homem (2 Pe 1.21).
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A Bíblia contém erros em matéria de ciência, história, moralidade, razão,
citações, etc., a fim de torná-la indigna de confiança.
Primeiro, embora isto seja uma reivindicação popular, é difícil substanciá-la. Tanto
ciência como tempo tendem a vindicar as Escrituras.
Segundo, a Bíblia não reivindica ser um livro de ensino em tópicos não-religiosos.
Todavia, quando fala nestas áreas, suas declarações, ainda que incompletas e expressas
em terminologia popular, nunca estão em erro.
Terceiro, a Bíblia deve ser estudada em comparação com o ambiente de seus dias.
Matérias de cultura, idioma e método literário devem ser cuidadosamente ponderados. Se
as Escrituras forem abordadas com uma atitude de investigação sincera e inteligente,
eles provarão possuir a qualidade de infalibilidade.
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Um elevado conceito de inspiração não necessita da doutrina da inerrância.
Uma apelo deve ser feito em três direções. Como foi visto, o testemunho da história é
convincente. A igreja geralmente sustentou um elevado conceito de inspiração,
sustentando a inseparabilidade da inspiração e inerrância.
Segundo, um estudo das Escrituras demonstra a correlação entre inspiração e
inerrância. É difícil imaginar que os escritores da Bíblia pensaram nas Escrituras
como sendo qualquer coisa diferente de infalível e sem erro.
Finalmente, apelamos à lógica. Visto que o próprio Deus é livre de erro, o qual é o
nítido testemunho das Escrituras (Sl 31.5; 100.5; Jo 7.28; 8.26; Rm 3.4; 2 Co 1.18; 1 Jo
4.6; 5.20; Ap 6.10), e uma vez que Ele escolheu o homem como o veículo pelo qual Ele
revelaria a sua verdade, é inteiramente consistente que Ele deveria conduzir o processo
de prover Escritura a fim de evitar todo erro e completamente inconsistente se qualquer
ínfima parte da mesma pudesse estar em erro.
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